Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eugénio de Andrade. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


Ver claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar outra vez e outra vez
e outra vez.
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Eugénio de Andrade

sábado, 20 de março de 2010

Dias Mundiais da Floresta e da Poesia


Árvore

Árvore, árvore. Um dia serei árvore.
Com a maternal cumplicidade do Verão.
Que os pombos torcazes
Anunciam.

Um dia abandonarei as mãos
Ao barro ainda quente do silêncio,
Subirei pelo céu,
As árvores são consentidas coisas assim.

Habitarei então o olhar nu,
Fatigado do corpo, esse deserto
repetido nas águas, enquanto a bruma é sobre as
folhas

Que pousa as mãos molhadas.
E o lume.

Eugénio de Andrade

domingo, 3 de janeiro de 2010

Eugénio de Andrade - "As palavras"

Para desfrutar e descobrir... Eugénio de Andrade!

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?