BLOGUE DAS BIBLIOTECAS DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SÃO MARTINHO (SANTO TIRSO)

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sábado, 10 de abril de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro…para ver e ler.



“O que vemos quando lemos? Tolstoi chegou a descrever Anna Karénina? Herman Melville alguma vez nos revelou a aparência exata de Ismael?
O conjunto de imagens fragmentadas numa página — uma orelha elegante ali, uma madeixa rebelde acolá, um chapéu posicionado de determinada maneira — e outras pistas e significantes ajudam-nos a imaginar uma personagem. Mas, na verdade, a sensação de conhecermos intimamente uma personagem tem pouco que ver com a nossa capacidade de imaginarmos as figuras literárias que amamos (ou odiamos).
O Que Vemos Quando Lemos é uma exploração singular e deslumbrante da fenomenologia da leitura, mostrando-nos como formamos imagens a partir da leitura de obras literárias, e como essas interpretações transformam a própria obra.
Peter Mendelsund, um dos mais conceituados designers editoriais contemporâneos, combina uma carreira artística premiada com a sua primeira paixão, a literatura, num dos mais provocadores e invulgares exercícios acerca da forma como compreendemos o ato de ler.”

in O Que Vemos Quando Lemos (2015), editora Elsinore




sábado, 27 de março de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

Um livro para ir ao teatro



Ir: Porquê?

“Sim, porquê ir ao teatro? É certamente a questão que se coloca ao Martinho. Como vimos, a resposta « para nos divertirmos» é insuficiente. Etimologicamente – muitas vezes, a etimologia de uma palavra, de uma noção dá-nos pistas interessantes -, teatro significa « o lugar de onde se vê». Podemos então imaginar que vamos ao teatro para ver. Mas para ver o quê, Martinho?
- Para ver…  o mundo.



sábado, 6 de março de 2021

PNL2027 - Um livro por semana


Um livro, a história de uma infância.


“A palavra «Irão» derivava de «Ayryana Vaejo», que significa «a origem dos Arianos». (…) O Irão foi conhecido como Pérsia – o seu nome grego – até 1935, quando Reza Shah, o pai do último xá do Irão, pediu a toda a gente que passasse a chamar Irão ao país.
O Irão era rico. As suas riquezas  e a sua localização geográfica convidavam aos ataques (…). O Irão foi muitas vezes dominado  por estrangeiros. Contudo, a língua e a cultura persas sobreviveram a essas invasões. Os invasores assimilavam a sua marcante cultura e, de certa forma, tornavam-se também iranianos." (...)


Persépolis é a historia de  Marjane Satrapi, uma iraniana que viveu  a guerra civil, a violência do exército e da polícia do Irão. Viveu a transformação do país -  de uma monarquia para uma república islâmica. Alguns familiares foram presos, amigos mortos, o medo obrigou a sua família a fugir para a Áustria em 1983. (...)


sábado, 27 de fevereiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana



“É possível  que andem pela nossa galáxia naves de outros planetas  a enfrentar destemidamente o espaço cósmico. Quando as imagino, não se parecem nada com as naves espaciais dos nossos filmes. Nas minhas fantasias são mais … biológicas. Não algo construído recentemente em resultado de uma necessidade urgente, mas, pelo contrário, o resultado evolutivo de uma longa tradição de navegação no espaço. Talvez  se desbloquem de estrela em estrela em missões de reconhecimento, em busca de mundos onde a vida esteja enraizada, para observar mais de perto propriedades emergentes de seres vivos que nem eles consigam prever." (...)
 in Cosmos: Mundos Possíveis (2020), Editora Gradiva                



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro infernal


“A ociosidade própria  de um passageiro, o meu isolamento no meio de todos aqueles  homens com os quais  não tinha afinidades, o mar untuoso e lânguido, a tétrica  uniformidade da costa, tudo isso parecia manter-me alheado da realidade das coisas, preso na teia de uma alucinação lúgubre e insensata. A voz da ressaca, ouvida de vez em quando, era um prazer real, como uma palavra fraterna." (...)



domingo, 14 de fevereiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

“Há várias maneiras possíveis de organizar e ordenar uma antologia, o que, evidentemente, se aplica também a uma antologia de poesia de amor. Pode, por exemplo, seguir-se um critério cronológico, por autores ou por épocas dos poemas; pode seguir-se um critério histórico e estilístico, ordenando-se os textos correspondentemente por épocas e por escolas; pode seguir-se um critério temático, surpreendendo as várias fases da relação amorosa, do avistamento e do enamoramento até à separação ou à morte, passando pela instância erótica e outras situações. (...)

in Introdução de 366 Poemas que Falam de Amor, escolhidos por Vasco Graça Moura, editora Quetzal (4.ª ed. 2019)


Soneto do Cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira



sábado, 6 de fevereiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana



«As Cidades Invisíveis apresentam-se como uma série de relatos de viagem que Marco Polo faz a Kublai Kan, imperador dos tártaros. [...] A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. [...] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. [...] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» - afirmou o escritor Italo Calvino a propósito do seu livro As Cidades Invisíveis (Dom Quixote, 2015), considerada uma das obras-primas da literatura do século XX.


Italo Calvino nasceu nos arredores de Havana (Cuba), a 15 de outubro de 1923. Passou praticamente toda a sua vida em Itália, excetuando os treze anos em que viveu em Paris. Faleceu em Siena, a 19 de setembro de 1985. (...)



sábado, 30 de janeiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… também é património.



Quando falamos de património cultural, pensamos falar de coisas do passado, perdidas num canto recôndito da memória coletiva. Puro engano! O património cultural é um tema do presente, apela a todos e projeta‑se no futuro. Testemunha e expressa valores, crenças e saberes em contínua evolução e mudança. Envolve memória histórica e criação contemporânea: o que é material e construído, o que é imaterial (tradições e vivências), o que diz respeito à natureza e às paisagens, às áreas urbanas e aos jardins históricos, bem como o que se reporta às ciências e tecnologias. (...)




sábado, 23 de janeiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro para pensar a consciência.


Por que razão tantos filósofos e cientistas escrevem hoje em dia sobre a consciência? (…) A importância da consciência deriva daquilo que traz diretamente à mente humana e daquilo que permite que essa mente venha a descobrir. A consciência faz com que as experiências mentais sejam possíveis, desde o prazer à dor, a par de tudo o que aprendemos, memorizamos, recordamos e manipulamos à medida que descrevemos tanto o mundo que nos rodeia  como o mundo interior, no processo de observar, pensar e raciocinar. Se eliminássemos a componente  consciente dos nossos  estados mentais, o leitor e eu  continuaríamos a ter imagens a fluir-nos pela mente, embora essas imagens não nos estivessem associadas enquanto indivíduos singulares. As imagens não seriam minhas, nem suas, nem de mais ninguém. Fluiriam à deriva e ninguém poderia saber quem pertenceriam.

Sem consciência, nada se pode saber. A consciência foi indispensável para a ascensão das culturas humanas e mudou o rumo da história  humana.“





domingo, 17 de janeiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 


Um livro... uma declaração sublime aos livros.


“Nesta história tempestuosa os livros também têm um papel importante. Quando Marco António julgava estar prestes a governar o mundo, quis deslumbrar Cleópatra com um presente. Sabia que o ouro, as joias ou os banquetes não conseguiriam acender uma luz de assombro nos olhos da sua amante, porque ela se tinha habituado a esbanjá-los diariamente. Certa vez, durante uma madrugada alcoólica, num gesto de ostentação provocadora, ela dissolveu uma pérola de tamanho fabuloso em vinagre e bebeu-a. Por isso, Marco António escolheu um presente do qual Cleópatra não poderia desdenhar com um ar aborrecido: pôs aos seus pés duzentos mil volumes para a Grande Biblioteca. Em Alexandria, os livros eram combustível para as paixões.”


sábado, 9 de janeiro de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro uno e múltiplo





Paulo José Miranda escreve de forma singular, expressiva, intimista e reflexiva. A sua escrita procura a unidade na multiplicidade dos textos e autores.

A editora Abysmo (2019) reuniu em livro, numa cuidada edição com ilustrações de Tiago Albuquerque, três contos - Um Prego no Coração, Natureza Morta e Vício. Três textos distintos, escritos em momentos diferentes, mas que poderão ser lidos como uma trilogia que nos fala sobre o século XIX português, sobre escritores e pensadores, criação artística que nos induz a uma reflexão sobre a vida, o amor, a felicidade e a tristeza.


 





segunda-feira, 30 de novembro de 2020

PNL2027 - Um livro por semana

 





“Escolho lugares  para pousar os pés entre os livros espalhados no chão. Olho para o relógio do microondas e são 03:17. No fim do momento em que olho para o relógio, o sete muda para oito e volto a olhar, porque me parece que talvez os minutos tenham começado a demorar menos do que um minuto. O tempo fica parado: 03:18. Sento-me aqui, à frente do computador, e escrevo palavras. Há vezes em que olho para estas palavras escritas como se estivesse diante  da janela um ciclone que destruísse os prédios, os carros estacionados  e as árvores. Agora é um dos momentos. Cada frase, exterior a mim, surge neste ecrã de luz para dizer-me aquilo que não sei. Escuto-as  e, se for  preciso, paro-me a olhá-las.  As palavras são bonitas  antes do seu significado. Depois de significarem, as palavras são como as pessoas, Podem ser tudo ao mesmo  tempo. Todas as palavras podem ser tudo ao mesmo tempo.”

Um mundo que não existe, in Abraço (2011). Lisboa: Quetzal



domingo, 22 de novembro de 2020

PNL2027 - Um livro por semana




 “Sou um homem bastante idoso. A natureza das minhas ocupações nos últimos 30 anos  proporcionou-me um contacto mais do que banal  com o que pareceria ser um conjunto de homens interessantes  e algo singulares, de quem, até à data, nada foi, que eu saiba, alguma vez escrito – refiro-me  aos amanuenses ou escrivães. Conheci muitos deles, profissionalmente e em âmbito privado e, se quisesse, poderia relatar diversas histórias com as quais os cavaleiros de boa índole poderão sorrir  e as almas sentimentais  poderão  chorar. Mas  renuncio às biografias de todos os outros escrivães por alguns  excertos  da vida  de Bartleby, que era  o escrivão mais estranho que alguma vez vi ou do  qual já  ouvi falar. Embora eu pudesse escrever a vida completa, nada do género se pode fazer quanto a Bartleby.  Creio que não exista  material suficiente para uma biografia integral e satisfatória deste homem. Isso é uma perda irreparável para a literatura. (…)

Bartleby, o Escrivão – Uma História de Wall Street - in Ficção Curta Completa, Herman Melville (2019). Lisboa: E-Primatur

domingo, 8 de novembro de 2020

PNL 2027 - Um livro por semana

Um livro âncora



 “O Diário de Bordo de Marcos Vaz de Lacerda, registo para uso pessoal onde a minúcia alterna com a linguagem telegráfica do aborrecimento e as datas se distanciam sobre longos dias sem menção, chegou-me às mãos cem anos depois, quando a casa do Vale Formoso ficou desabitada pela morte de Carlota. Diário de Bordo estava dentro da escrivaninha que Carlota me legara, uma bela peça italiana que a mulher de Marcos herdara dos avós e devia ter duzentos anos. (…)



sábado, 17 de outubro de 2020

PNL 2027 - Um livro por semana

 "A Rota da Porcelana" de Edmund de Waal






“Estou na China. Estou a tentar atravessar uma rua em Jingdezhen, na província de  Jianxi, a capital da porcelana, a mítica Ur onde tudo começa; chaminés de fornos que trabalham  toda a noite, a cidade “ como uma fornalha  com muitos respiradouros de chamas”, fábricas para a corte imperial, o norte na prega das montanhas  para onde aponta a minha bússola.  É o sítio para onde os imperadores  mandavam emissários  com encomendas para o meu palácio-tanques de porcelana para carpas, incrivelmente altos, taças de pé para rituais, dezenas de milhares de peças para o serviço da sua casa.  (…) É a cidade  dos segredos, mil anos de saberes, cinquenta gerações a escavar, a limpar e a combinar terra branca, a fazer e a estudar porcelana, cidade de oficinas, oleiros, vidradores, decoradores, mercadores, falsários  e espiões. (…)

Não tenho mapas. Tenho as minhas fotocópias agrafadas das cartas do Père d’ Entrecolles, o padre jesuíta francês que aqui viveu há trezentos anos e deixou descrições vividas  de como era feita a porcelana. Trouxe as  cartas  a pensar que ele me poderia servir de guia. Agora parece-me um gesto um tanto afetado e nada prático.”





domingo, 4 de outubro de 2020

PNL 2027 - Um livro por semana

Um livro rebelde




“SE ESTÃO MESMO INTERESSADOS NISTO, então a primeira coisa que devem querer saber é onde é que nasci, e como foi a porcaria da minha infância, o que faziam os meus pais e tudo antes de eu ter nascido,  e toda essa treta  estilo David Copperfield, mas não estou para aí virado, para  dizer a verdade. Primeiro, porque é o tipo de coisa que me chateia, e segundo porque os meus pais eram capazes de ter dois ataques cada um se eu me pusesse a contar alguma coisa de mais pessoal acerca deles. São bastante suscetíveis com coisas do genéro, especialmente o meu pai. São simpáticos e tudo … não é isso… mas também são suscetíveis como o raio. E depois  não lhes vou contar  a merda da minha autobiografia toda nem nada que se pareça. Vou-lhes contar só aquela história de loucos  que me aconteceu o ano passado por volta do Natal antes de me ter  ido  completamente abaixo e de ter  vindo parar aqui para me pôr em forma. Aliás, também foi só o que contei a D.B. e ele é meu irmão e tudo. Ele está em Hollywood.

 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

PNL 2027 - Um livro por semana



“Ninguém pensou nos mundos antigos do espaço como fontes de perigo para os humanos, ou pensou neles apenas para descartar a ideia de que poderiam suportar a vida por ser impossível ou improvável. É curioso recordar alguns dos hábitos mentais desses dias passados. Quando muito, os homens terrestres fantasiavam que talvez existissem outros homens em Marte, talvez inferiores a eles próprios e dispostos a acolher uma iniciativa missionária. No entanto, no abismo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para os animais que são abatidos, intelectos vastos, frios e insensíveis, olham para esta Terra com olhos invejosos, traçando lenta e implacavelmente os seus planos contra nós. E no início do século vinte, veio a grande desilusão.“