BLOGUE DAS BIBLIOTECAS DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SÃO MARTINHO (SANTO TIRSO)

BLOGUE DAS BIBLIOTECAS DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SÃO MARTINHO (SANTO TIRSO)
Mostrar mensagens com a etiqueta um livro por semana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta um livro por semana. Mostrar todas as mensagens

sábado, 24 de julho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

Um livro … a quatro mãos. 




Três novelas curtas, deliciosas e cheias de humor e suspense, de dois dos autores mais populares e reconhecidos da ficção em língua portuguesa.


O Terrorista Elegante e Outras Histórias reúne três novelas escritas a quatro mãos pelos dois amigos com base em peças de teatro encomendadas por grupos de teatro portugueses. 

“As três novelas que constituem este livro têm por base peças de teatro escritas em conjunto pelos autores em tempos diferentes. O primeiro conto, “O terrorista elegante”, resultou de uma encomenda do grupo de treatro A Barraca, de Lisboa. Os dois últimos, “Chovem amores na rua do matador” e “A caixa preta” , foram  escritos como resposta a convites do Trigo Limpo – Teatro ACERT, de Tondela, Portugal.

Escrevemos “Chovem amores na rua do matador” e “A caixa preta” trocando mensagens, a partir de cidades diferentes, um acrescentando o texto do outro. “ O terrorista elegante” foi quase inteiramente escrito em Boane, Moçambique, num jardim imenso, à sombra de um alpendre de colmo. Ali passámos dias, sentados à mesma mesa, cada um diante de um computador, rindo, brincando e apostando na negação da ideia de que a criação literária é sempre um ato profundamente solitário.”

José Eduardo Agualusa e Mia Couto (2019) 

in O Terrorista Elegante.(2019). Quetzal Editores


José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e  Berlim. É romancista, contista, cronista e autor de literatura infantil. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais  prestigiados  prémios nacionais e estrangeiros, como o Independent ou o IMPSC Dublin, tendo sido finalista do Booker.

Mia Couto nasceu  na cidade da Beira, em 1955, e tem formação em Biologia. Entre outros, recebeu o Prémio Camões em 2013, o União Latina em 2007, o Vergílio Ferreira em 1999, ou o Neustadt  em 2014 – e é autor de livros tão marcantes  como Terra Sonâmbula, O Último Voo do Flamingo ou Vozes Anoitecidas.


“Poucas pessoas na Polícia judiciária sabem o nome de batismo do comissário Laranjeiro. Lara sabe: Lourenço.

- O teu problema – disse-lhe Lara uma vez – é que te transformaste inteiramente no comissário Laranjeira.

Devias tentar ser Lourenço mais vezes.

Naquela época, o comissário Laranjeira ainda conseguia ser Lourenço algumas vezes – pelo menos com ela.  Depois perdeu a prática. Tinha cinquenta anos e uma barba de três dias, muito branca, que contrastava como o cabelo inteiramente negro.  Os inimigos (que eram muitos) insinuavam que ele pintava o cabelo. O comissário remexeu os papeis na escrivaninha. A sua vida estava um caos. Lara, em pé, não escondia a impaciência.

- Despacha-te. Esperam-me no serviço. Se fico muito tempo, vão pensar que me sequestraste…

- Não me importaria…” 

 in O Terrorista Elegante (2019)



sábado, 17 de julho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… uma viagem atormentada.


«Há poucas outras histórias na Bíblia com tanto drama e ação, tanto fogo de artifício narrativo e emoção pura, como os que encontramos no conto de Sansão: a batalha com o leão; as trezentas raposas a arder; as mulheres com quem dormiu, e a única que amou; a traição por parte de todas as mulheres da sua vida, desde a sua mãe Dalila; e, no final, o seu suicídio homicida, quando fez desabar a casa sobre si próprio e três mil filisteus. Contudo, para além da fera impulsividade, do caos e do barulho, podemos entrever uma história de vida que é, no fundo, a viagem atormentada de uma alma isolada, solitária e turbulenta, que nunca encontrou, em lado algum, um verdadeiro lar no mundo, cujo corpo era ele próprio um duro lugar de exílio.»

sinopse de O Mel do Leão (2019) Elsinore


“David Grossman nasceu em 1954 em Jerusalém, filho de um taxista, mais tarde transformado em livreiro, que lhe transmitiu o amor pelos livros. Estudou filosofia na Universidade de Jerusalém, cumpriu o serviço militar de 1971 a 1975, e trabalhou como jornalista na rádio nacional durante 25 anos, até ser despedido por se ter recusado a abafar uma notícia sobre a criação de um Estado declarado pela Autoridade Palestiniana. A escrita chegou pouco depois de conhecer a mulher, Michal. Grossman perdeu o seu filho Uri, na Guerra Israel-Libanesa de 2006. O luto por essa perda foi tratado na literatura no seu livro Fora do Tempo. (…)”

in Portal da Literatura




domingo, 11 de julho de 2021

PNL2027 - Um livro poe semana

 Um livro … uma autora de culto.



Clarice Lispector (1920-1977) foi um dos maiores nomes da literatura brasileira do Século XX. Com seu romance inovador e com sua linguagem altamente poética, sua obra se destacou diante dos modelos narrativos tradicionais.” Conheça, de forma mais aprofundada, a curiosa e extraordinária biografia de Clarice Lispector.



“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?  Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um facto. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contacto interior e inexplicável.  A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boca nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente – é a minha própria dor, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.”

in A Hora da Estrela (2002). Relógio D’Água


domingo, 4 de julho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… sobre a condição humana.


“Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia - até que ocorre um homicídio.

Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência.”

in O Estrangeiro (2015). Livros do Brasil



Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciou-se em Filosofia.
Foi um escritor, filósofo, romancista, dramaturgo, jornalista e ensaísta franco-argelino. Na política esteve envolvido, de forma ativa, na Resistência Francesa. Distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1957.



sábado, 26 de junho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro … sobre a beleza das coisas.


“O meu avô sempre dizia que o melhor da vida haveria de ser ainda um mistério e que o importante era seguir procurando. Estar vivo é procurar; explicava.
Quase usava lupas e binóculos, mapas e ferramentas de escavação, igual a um detective cheio de trabalho e talentos. Tinha o ar de um caçador de tesouros e, de todo o modo, os seus olhos reluziam de uma  riqueza profunda. Percebíamos isso no seu abraço. Eu dizia: dentro do abraço do avô. Porque ele se tornava uma casa inteira e acolhia. Abraçar assim, talvez  porque sou magro e ainda pequeno, é para mim um mistério tremendo.”

in As mais belas coisas do mundo (2019), Porto Editora





domingo, 20 de junho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana


Um livro…. um segredo das almas.


“Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.”

sinopse in Livros do Brasil


sábado, 12 de junho de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… o mundo na cabeça.


“O coração de Chopin é secretamente levado de volta para Varsóvia pela sua irmã; uma mulher vê-se obrigada a regressar à Polónia para envenenar o seu primeiro amor, moribundo numa cama; um homem começa a enlouquecer quando a mulher e o filho desaparecem misteriosamente, apenas para, do mesmo modo, reaparecerem subitamente - através destas e outras histórias e personagens, brilhantemente relatadas ou simplesmente imaginadas, Viagens explora, ao longo dos séculos, o significado de se ser um viajante, um corpo em movimento, não apenas através do espaço, mas também do tempo.

De onde provimos? Para onde vamos ou regressamos?

Fascinante, intrigante e de uma originalidade rara, este livro é uma resposta sublime a todas estas questões, uma teia de reflexões que entretece ficção, memória e ciência. Uma exploração profunda sobre o corpo humano, a vida que surge, a morte e o movimento, levando-nos ao âmago do próprio significado de humanidade.“

in Viagens (2019), ed. Cavalo de Ferro




Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.

A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.”


 

sábado, 29 de maio de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… sobre a condição humana.


“Quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo, a vida de Larry Darrell muda para sempre. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.
Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.

Por duas vezes adaptado ao cinema, O Fio da Navalha é um romance intemporal. As ansiedades e dúvidas de Larry são também as nossas; continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou um dos mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento humanos.”

in O Fio da Navalha (2013), ed. Asa



“William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. (ler mais)


domingo, 23 de maio de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… de culto.


O Quarteto de Alexandria é uma tetralogia de romances do escritor Lawrence Durrell, publicados entre 1957 e 1960. Os primeiros três livros apresentam três perspetivas da mesma sequência de acontecimentos e personagens, passados em Alexandria, durante a II Guerra Mundial e o quarto livro passa-se seis anos mais tarde.


“Pela primeira vez em Portugal, a edição reunida e revista pelo autor, em 1962, dos quatro livros que compõem O Quarteto de Alexandria - Justine, Balthazar, Mountolive e Clea. Os quatro romances exploram a sociedade daquela cidade poliglota e cosmopolita, repleta de intrigas, mistério e sensualidade, retomando genericamente uma mesma história sob diferentes pontos de vista, acrescentando e refazendo pormenores e situações. 

Justine, o primeiro livro da tetralogia, centra-se na bela esposa judia de Nessim, um poderoso banqueiro copta, narrando, do ponto de vista de um jovem aspirante a escritor, os encontros e desencontros de um grupo de amigos que se conhecem na cidade de Alexandria no período anterior à Segunda Guerra Mundial. Darley, o narrador, envolve-se com duas mulheres - a misteriosa Justine e a frágil Melissa. A partir desta complexa relação, nasce uma trama carregada de erotismo e subtilezas.

 Em Balthazar o narrador, isolado numa ilha onde vive com a pequena filha de Melissa, recebe a inesperada visita de Balthazar, que lhe entrega o manuscrito de Justine. Relendo o seu próprio texto e os comentários do amigo, Darley revive o seu envolvimento com as mulheres do seu passado e toma conhecimento de novos factos.

 Em Mountolive, o terceiro livro de O Quarteto de Alexandria, o autor apresenta os acontecimentos narrados em Justine e Balthazar sob uma nova perspetiva. A guerra faz a sua aparição e a trama gira agora em torno do embaixador britânico, David Mountolive, tendo como ponto de partida as recordações da sua paixão por Leila, a mãe de Nessim. Darley regressa a Alexandria a pedido de Nessim, levando a menina para que o pai e Justine a conheçam. O regresso do escritor é o fio condutor de Clea, o último volume desta série exuberante e sensual que é considerada uma obra-prima da literatura.“

in O Quarteto de Alexandria, Ed. Dom Quixote

 


sábado, 15 de maio de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

Um livro… um grito de alerta.


“A história da Sexta Extinção, pelo menos tendo em conta a forma como escolhi apresentá-la, é composta por 13 capítulos. Cada um segue uma espécie que é de algum modo emblemática - por exemplo, o mastodonte-americano, o arau-gigante, uma amonite que desapareceu no final do perído Cretácio juntamente com os dinossáurios. As criaturas dos primeiros capítulos já estão extintas, e essa parte do livro debruça-se principalmente sobre as grandes  extinções do passado e sobre a história inesperada da sua descoberta, começando pelo trabalho do naturalista francês Georges Cuvier. A segunda parte do livro decorre maioritariamente no presente - na cada vez mais fragmentada floresta amazónica, nas encostas quentes dos Andes, nos confins da Grande Barreira de Coral. Escolho ir a estes lugares especificos pelos motivos jornalísticos habituais – porque lá existia  um posto de investigação ou porque alguém me convidou para acompanhar uma expedição. A extensão das mudanças que estão a ocorrer é tal que eu podia ter ido praticamente para qualquer lugar do mundo e, com a orientação devida, encontraria os sinais destas mudanças. Um dos capítulos diz respeito ao extermínio que está a acontecer mais ou menos no meu próprio bairro (e, com toda a probabilidade, também no seu). (...)

in Prólogo de A Sexta Extinção, editora Elsinore




“Elizabeth Kolbert é jornalista, tendo escrito para o New York Times durante 15 anos. Trabalha para a New Yorker desde 1999, revista na qual publica regularmente reportagens sobre ciência. O seu trabalho sobre o aquecimento global, «The Climate of Man», venceu o National Magazine Award for Public Interest, em 2006, entre outros prémios. Foi também galardoada com o National Magazine Award para recensões e críticas, em 2010, bem como o Heinz Award, no mesmo ano.

É autora de The Prophet of Love: And Other Tales of Power and Deceit, publicado em 2004, e de Field Notes from a Catastrophe, de 2006. A Sexta Extinção recebeu o Prémio Pulitzer para obras de não-ficção, em 2015, e foi finalista do National Book Critics Circle Award. Está traduzido em mais de 30 línguas.“

in editora Elsinore



sábado, 8 de maio de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… magistral

O último grande romance de Dostoiévski (1879-1880), terminado pouco tempo antes da sua morte, em São Petersburgo (1881) vem, juntamente com as obras Crime e Castigo (1866), O Idiota (1868) e Os Possessos (1871-72), provar que a fase final da sua vida foi, sem dúvida, a mais produtiva. Os Irmãos Karamázov é uma das mais geniais criações literárias de todos os tempos. Analista rigoroso do comportamento humano, Dostoiévski traz à tona o próprio sentimento de culpa pelo assassínio do pai. O autor debate de uma forma sublime as infindáveis dicotomias da natureza humana, revelando uma inquietação que é já a do homem moderno.

in sinopse da Editorial Presença

Conheça a intriga do grande clássico da literatura pela voz de Carlos Vaz Marques no podcast O Livro do Dia. 




Fiódor Dostoiévski nasceu em Moscovo, em 1821, no seio de uma família modesta. Foi um dos grandes precursores da mais moderna forma do romance - a par de Emily Brontë, por exemplo -, uma forma depois representada por nomes como Marcel Proust, Virginia Woolf e James Joyce. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para São Petersburgo, onde faz o percurso da Escola Militar de Engenharia. É nesses anos que a sua vocação literária desperta, ao entrar em contacto com escritores russos e com a obra de Byron, Victor Hugo e Shakespeare. A sua estreia na literatura acontece em 1846 com Gente Pobre. Três anos depois, é condenado à morte, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. A pena acaba comutada para trabalhos forçados na Sibéria, e Dostoiévski é amnistiado em 1855. A partir desta data, inicia-se o período de actividade literária mais intensa com a publicação de algumas das suas obras mais importantes, entre elas Crime e Castigo (1866), O Jogador (1866), O Idiota (1869), Demónios (1872) e Os Irmãos Karamázov (1879-1880). Fiódor Dostoiévski faleceu em São Petersburgo, em 1881.”

in Editorial Presença


sábado, 1 de maio de 2021

PNL2027 - Um livro por semana


 Um livro… epistolar. Ode à LÍNGUA PORTUGUESA.


«Desta ilha de Lanzarote, com o mar por meio, mas com braços tão longos que alcançam a Bahia, nós, e os mais que cá estão, parentes e amigos, admiradores todos, vos enviamos muito saudar e votos valentes contra as coisas negativas da vida.

A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já iam maduros nos anos e na carreira literária. O vínculo tardio, porém, não impediu que os escritores criassem um forte laço, estendido às suas companheiras de vida, Zélia Gattai e Pilar del Río (...)»


“Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga. As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou. (…)"


“Jorge Amado nasceu em Pirangi, Baía, em 1912 e faleceu a 6 de Agosto de 2001.
Viveu uma adolescência agitada, primeiro na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Em 1935 já se tinha estreado como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). (…)"

domingo, 25 de abril de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro…um livro de abril.

"O que é memorável não é o que ficou enterrado no passado; memorável é o que do passado se recolhe e se pode projetar no futuro".

Lídia Jorge



“Em 2004, Ana Maria Machado, repórter portuguesa em Washington, é convidada a fazer um documentário sobre a Revolução de 1974, considerada pelo embaixador americano à época em Lisboa como um raro momento da História. Aceite o trabalho, regressa, contrata dois antigos colegas, e os três jovens visitam e entrevistam vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, revisitando os mitos da Revolução. Um percurso que permite surpreender o efeito da passagem do tempo não só sobre esses “heróis”, como também sobre a sociedade portuguesa, na sua grandeza e nas suas misérias.

Transfiguradas, como se fossem figuras sobreviventes de um tempo já inalcançável, as personagens de Os Memoráveis tentam recriar o que foi a ilusão revolucionária, a desilusão de muitos dos participantes e o árduo caminho para uma Democracia.

Paralela a esta ação decorre uma outra, pessoal e íntima: a história do pai da protagonista, António Machado, que retrata em privado o destino que se abate sobre todos os outros. Todos vivem na Democracia, uma espécie de lugar de exílio. Mas um dia, todas as misérias serão esquecidas, quando se relatar o tempo dos memoráveis.”

Sinopse in Leya online



segunda-feira, 19 de abril de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro… perfeito.

“Ficções é talvez o livro mais reconhecido de Jorge Luis Borges, e que inclui contos fundamentais para entender o seu universo, como «O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam», «As Ruínas Circulares» ou «A Biblioteca de Babel». Há narrativas de natureza policial, como «A Morte e a Bússola», a história de um detetive que investiga o assassinato de um rabino; outras, que recriam livros imaginários como «Tlön, Uqbar, Orbis Tertius», reflexão extraordinária sobre a literatura e sua influência no mundo físico; e outras que podem ser consideradas fundadoras do moderno género fantástico, como «O Sul», que, nas palavras do mesmo autor, é talvez a sua melhor história.”

In Ficções (2020), Quetzal Editores



“Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Cresceu no bairro de Palermo, «num jardim, por detrás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses». Em 1914 viajou com a família pela Europa, acabando por se instalar em Bruxelas, e posteriormente em Maiorca, Sevilha e Madrid. Regressado a Buenos Aires, em 1921, Borges começou a participar ativamente na vida cultural argentina. Em 1923, publicou o seu primeiro livro – Fervor de Buenos Aires –, mas o reconhecimento internacional só chegou em 1961, com o Prémio Formentor, seguido por inúmeros outros. A par da poesia, Borges escreveu ficção (é sem dúvida um dos nomes maiores do conto ou da narrativa breve), crítica e ensaio, géneros que praticou com grande originalidade e lucidez. A sua obra é como o labirinto de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais: o tempo, «eu e o outro», Deus, o infinito, o sonho, as literaturas perdidas, a eternidade – e os autores que deixam a sua marca. Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. Morreu em Genebra, em junho de 1986.” In Quetzal editores


sábado, 3 de abril de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro escondido



“No meu coração vive uma menina que, sempre que tem a sensação de que o mundo não funciona, se esconde num canto.

Nesse canto há canções a aguardar que ela as cante, enigmas a aguardar que ela os resolva, recordações a aguardar que ela as rememore, sonhos que, tal como  um amontoado de folhas no chão, aguardam que ela os esmiúce.

Ali respira tranquila e caminha devagar.

O silêncio entre notas dá  forma à música, um silêncio que difunde a  mensagem de que existe um mundo novo e encantador.

No meu coração vive uma menina que sempre que se esconde num canto, fá-lo por pouco tempo; e isto só porque precisa desse tempo para voltar a encontrar o seu lugar no mundo.”

In  Esconder-se num canto do mundo (2017), editora Kalandraka



Jimmy Liao (Taipé, China, 1958): Licenciado em Belas-Artes. Após 12 anos a trabalhar numa agência de publicidade, uma leucemia levou-o a repensar a sua vida. Já recuperado, deixou o seu emprego e dedicou-se a escrever e a ilustrar histórias de forma autodidata.


sábado, 20 de março de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro de poesia



No silêncio das tapeçarias
há a memória
das terríveis batalhas
do imaginário.
Mas são ternas
as cartas que trocam entre si
os seus heróis. (...)

Áfricas 69


"Quando faço poesia pinto, e ao pintar faço poesia”. Artur Cruzeiro Seixas


sábado, 13 de março de 2021

PNL2027 - Um livro por semana

 Um livro, um Nobel.



“Ricardo Reis, idade quarenta e oito anos, natural do Porto, estado civil solteiro, profissão médico, última residência Rio de Janeiro, Brasil, donde procede, viajou pelo Highland  Brigade, parece o princípio duma confissão, duma autobiografia íntima, tudo o que é oculto se contém nesta linha manuscrita, agora o problema é descobrir o resto, apenas. (…) Ricardo Reis vai aos jornais, ontem tomou  nota das direcções, antes de se deitar, afinal não foi dito que dormiu mal, estranhou a cama ou estranhou a terra, quando se espera o sono no silêncio de um quarto ainda alheio, ouvindo chover na rua, tomam as coisas a sua verdadeira dimensão, são todas grandes, graves, pesadas, enganadora é sim a luz do dia,  faz da vida uma sombra apenas recortada, só a noite é lúcida, porém o sono a  vence, talvez para nosso  sossego e descanso, paz à alma dos vivos. (…) Causou dolorosa impressão nos círculos intelectuais a morte inesperada de Fernando Pessoa, o poeta do orfeu, espírito admirável que cultivava não só a poesia em moldes originais mas também a crítica inteligente, morreu anteontem em silêncio, como sempre viveu, mas como as letras em Portugal não sustetam ninguém, Fernando Pessoa empregou-se num escritório comercial, e, linhas adiante, junto do jazigo deixaram os seus amigos flores de saudade.”

in O Ano da Morte de Ricardo Reis, editora Caminho.